Linha de crédito para o pagamento de salários fracassa

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Inviabiliza manutenção de empresas, anunciados R$ 40 bi em abril, só R$ 1,96 bilhão foi utilizado, levantamento foi feito pela CNT

A linha de crédito de R$ 40 bilhões para financiar a folha de pagamentos de milhares de pequenas e médias empresas no país não decolou. Até o dia 27 de maio, apenas 5% do total (R$ 1,96 bilhão) foi liberado.

O número consta em análise da CNT (Confederação Nacional do Transporte) divulgada nesta 6ª feira (5.jun.2020). Eis a íntegra da pesquisa.

O estudo indica que, diante do fraco resultado, a falta de condições de crédito pode inviabilizar a sobrevivência de empresas durante a pandemia.

Financiamento

O 1º caso de covid-19 no Brasil foi confirmado em 26 de fevereiro. Até março de 2020, os dados do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) não evidenciaram uma maior atividade neste contexto de pandemia. O banco desembolsou R$ 3,19 bilhões no mês, mantendo a sua trajetória de queda.

Oferta de crédito

Em março, foram injetados R$ 92,39 bilhões na carteira de crédito para PJ (pessoa jurídica). É o saldo do qual empresas tomam empréstimos.

Já em abril, quando as medidas de isolamento social se intensificaram, o acréscimo de crédito foi de R$ 18,54 bilhões –queda de 79,9% nos recursos adicionados.

Para o órgão, os indicadores “mostram a urgência de obter recursos imediatos com uma finalidade básica: cobrir o fluxo de caixa [das empresas], ou seja, conseguir equilibrar as contas e atravessar essa crise sem ter de fechar as portas”.

O levantamento aponta ainda que micro, pequenas e médias empresas têm menos acesso a credito que as grandes. Em março, elas receberam apenas 12,3% do crédito adicionado a PJs. Em abril o percentual cai quase pela metade: 6,7%.

A CNT ressalta que os números não incluem solicitações de crédito das empresas rejeitadas pelo setor bancário. O estudo conclui que “não se pode descartar a hipótese de que o volume de crédito não esteja sendo o suficiente – sobretudo para micro, pequenas e médias empresas, mas também para as grandes”.

Com o eventual prolongamento da paralisação da economia, os prejuízos tomam proporções ainda maiores. “Nesse contexto, fica claro que as empresas precisariam, além de recursos imediatos a juros baixos e prazos longos, de um período de carência ampliado para o pagamento da 1ª parcela do financiamento”, diz o documento.

O órgão afirma ainda ser necessário “condições excepcionalmente favoráveis de crédito” para evitar a falência de empresas durante a pandemia e avalia como  “preocupante” a ausência de mudanças significativas nas condições médias de juros e prazos.

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