Presidente do PSL usa empresas que vendem nota fiscal para justificar gastos, diz jornal

Uma empresa pertence a assessora, serviço foi prestado por outra pessoa

Presidente nacional do PSL, partido de Jair Bolsonaro, o deputado federal Luciano Bivar (PE) apresentou à Câmara dos Deputados e ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) notas fiscais de duas empresas que negociam a venda desse tipo de documento.

A informação foi divulgada pelo jornal Folha de São Paulo nesta 5ª feira (11.abr.2019). De acordo com técnicos da Câmara ouvidos pelo jornal, apresentar à Casa uma nota fiscal que não corresponde à realidade configura, em tese, crime de falsidade ideológica, com pena de 1 a 5 anos de prisão.

A primeira empresa, ML Serviços de Comunicação, pertence a uma assessora de Luciano Bivar e foi destinatária de R$ 50 mil de verbas da Câmara, de 2017 a abril deste ano.

Ao jornal, a proprietária, Marta Patrícia Heitor Lemos, filiada ao PSL desde 2013, confirmou ter fornecido as notas relativas a 2017 e 2018 sem ter prestado os serviços. As atividades teriam sido feitas, na verdade, por uma outra assessora que não tinha empresa em seu nome.

Marta afirma que, anteriormente, a jornalista Maria das Graças de Lima, que morreu neste ano, era a responsável pela assessoria de imprensa do político.

“Ela não tinha empresa. Desta forma, eu passava a nota e ela pagava o imposto”, diz Marta Lemos.

Folha afirma também que teve acesso a uma conversa telefônica gravada em que Marta negocia a venda de uma nota fiscal de sua empresa a uma pessoa que se passava por assessor de 1 deputado federal.

Pela negociação, ela teria pedido comissão de 25% a 30% do valor do documento. O negócio não chegou a ser fechado. Questionada, Marta confirmou essas negociações e disse ter se arrependido.

O QUE DIZ BIVAR

À Folha, Luciano Bivar disse que todos os serviços declarados foram prestados e que Marta trabalha para o partido e seu gabinete há alguns anos.

“Então não era ela que dava o serviço profissional? Então vou ter que despedi-la. Como é que ela fazia isso, meu Deus do céu? Se ela que prestava o serviço, falava comigo, mandava as notas dela e ela não prestava o serviço? O que ela fazia, então?”, disse o presidente do PSL, referindo-se à afirmação da assessora de que o trabalho era prestado por outra jornalista.

“Se ela fez essa confissão, ela é uma proxeneta [intermediária de casos amorosos] da Graça, então”, completou.

Segundo Luciano Bivar, Marta prestava serviço de assessoria de imprensa.

“Hoje, por exemplo, vou fazer visita em tal lugar. Ela pede umas fotos, pede umas coisas. Ela divulga na imprensa, ela me transmite o que saiu na Folha de S.Paulo, o que saiu no blog de não sei quem. Ela me põe a par de tudo. É uma assessoria de imprensa, entendeu?”, afirmou.

Ao jornal, Marta Lemos afirmou que desde fevereiro presta serviços de assessoria de imprensa a Bivar, divulgando seu trabalho legislativo na imprensa de Pernambuco e fazendo o acompanhamento das notícias que dizem respeito ao deputado. Ela disse receber R$ 7.000 por mês e que trabalha em casa, no bairro do Fundão, na zona norte do Recife.

Ela já prestou serviços de comunicação para o PSL e também para o plano de saúde Excelsior, pertencente a Luciano Bivar.

A ML tem endereço no bairro de Boa Viagem, zona sul do Recife.

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