Moro diz não ter pensado em se afastar e questiona: ‘Por que não apresenta tudo?’

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Concedeu entrevista ao Estadão, negou ter agido com parcialidade e disse não se lembrar de todas as falas.

O ministro Sergio Moro (Justiça) disse não ter pensado em se afastar do cargo após a divulgação de conversas entre ele, à época juiz federal, e o procurador Deltan Dallagnol sobre a operação Lava Jato. A declaração foi dada em entrevista ao blog do jornalista Fausto Macedo, do jornal O Estado de S. Paulo, divulgada nesta 5ª (13.jun.2019).

“Eu me afastaria se houvesse uma situação que levasse à conclusão de que tenha havido 1 comportamento impróprio da minha parte. Acho que é o contrário. Agora estou em uma outra situação, estou como ministro da Justiça, não mais como juiz, mas tudo o que eu fiz naquele período foi resultado de 1 trabalho difícil. E nós sempre agimos ali estritamente conforme a lei”, declarou.

Como havia feito após a divulgação das conversas pelo The Intercept, o ministro voltou a dizer que foi vítima de 1 ataque hacker e atacou o portal: “Existe 1 sensacionalismo que tenta manipular a opinião pública. Pessoas que se servem de meios criminosos para obter essas informações e nos atacar e a outras pessoas e que não veem 1 problema ético em utilizar esse tipo de informação e fazer sensacionalismo. Por que não apresenta desde logo tudo? Se tem irregularidade mesmo, tão graves, apresenta tudo para uma autoridade independente que vai verificar a integridade do material”.

O ministro também negou ter direcionado Dallagnol ou agido com imparcialidade na operação. Na avaliação dele, a divulgação das conversas não compromete o processo que condenou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em caso envolvendo 1 tríplex no Guarujá, em São Paulo. “Foi 1 caso decidido com absoluta imparcialidade com base nas provas, sem qualquer espécie de direcionamento, aconselhamento ou coisa que o valha”, afirmou.

Ao ser questionado sobre se reconhecia as falas atribuídas a ele –como o trecho “In Fux we trust”, que faz referência ao ministro Luiz Fux, do STF (Supremo Tribunal Federal) e foi divulgado nessa 4ª feira (12.jun)–, Moro disse não ter “memória de tudo”. Reconheceu, contudo, ter comentado com Dallagnol a divulgação de áudios entre os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff, em 2016. Depois da divulgação, Lula acabou impedido de assumir a Casa Civil no governo de Dilma.

Por fim, o ministro disse não temer novas publicações, contou ter recebido o apoio do presidente Jair Bolsonaro e afirmou não pensar, no momento, sobre o impacto do caso em uma eventual indicação para o STF: “Não faz sentido. Nunca vi no passado se discutir vagas no Supremo sem estarem abertas. É algo que não está no meu radar”.

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