Produção industrial cresce 0,8% e tem melhor agosto desde 2014

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Indústria volta a crescer após 3 quedas seguidas, mas ritmo de recuperação ainda é menor que o registrado em 2018. No ano, setor ainda acumula queda de 1,7%.

Depois de três meses em queda, a produção industrial brasileira cresceu 0,8% em agosto, na comparação com julho, segundo divulgou nesta terça-feira (1) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Trata-se do melhor resultado para meses de agosto desde 2014 (0,9%).

A alta registrada em agosto é também o melhor resultado mensal desde junho do ano passado, quando houve avanço de 12,6%, na comparação com o mês imediatamente anterior.

Segundo o IBGE, a recuperação em agosto foi puxada pela indústria extrativa, que cresceu 6,6% no mês, impulsionada pelo aumento na extração de minério de ferro, petróleo e gás.

Apesar da indústria ter voltado a crescer, o ritmo de recuperação ainda é menor que o registrado no ano passado.

Na comparação com agosto do ano passado, a produção caiu 2,3%. No acumulado nos 9 primeiros meses do ano, o setor acumula queda de 1,7%. Em 12 meses, a produção industrial mostra uma perda ainda maior de ritmo, ao passar de -1,3% em julho para -1,7% em agosto, permanecendo em trajetória descendente iniciada em julho do ano passado.

16 dos 26 ramos pesquisados registraram queda

Segundo o IBGE, apenas 10 dos 26 ramos pesquisados registraram alta na produção, o que mostra que a recuperação registrada em agosto foi localizada, com destaque para as indústrias extrativas, que avançaram 6,6%, a quarta taxa positiva consecutiva. Os outros impactos mais relevantes vieram dos setores de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (3,6%) e de produtos alimentícios (2%).

Na outra ponta, as maiores quedas foram registradas pelos ramos de veículos automotores, reboques e carrocerias (-3%), confecção de artigos do vestuário e acessórios (-7,4%), máquinas e equipamentos (-2,7%) e produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-4,9%).

Entre as grandes categorias econômicas, bens intermediários foi a única que registrou alta (1,4%), sustentado pelo crescimento das indústrias extrativas.

O pior resultado foi o do setor de bens de consumo duráveis, que recuou 1,8% pressionado pela queda na produção de automóveis. Os segmentos de bens de consumo semi e não duráveis e de bens de capital também ficaram no negativo, ambos com queda de 0,4%.

Das cinco grandes categorias econômicas que compõem o setor industrial, somente a de Bens intermediários registrou alta em agosto (1,4%), segurando a alta da indústria geral.

Recuperação lenta e perspectivas

A indústria tem sido afetada em 2019 pelo ritmo mais fraco de recuperação da economia e também por fatores adicionais como a queda das exportações para a Argentina e pelos reflexos da tragédia de Brumadinho (MG).

  • Indústria perde peso no PIB e vê ano de estagnação

Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostrou que o excesso de estoques foi reduzido em agosto, mas que os índices de expectativa de demanda, de quantidade exportada e de investimentos permanecem em queda.

Para o consolidado no ano, os economistas das instituições financeiras projetam uma queda de 0,54% na produção industrial, segundo pesquisa Focus do Banco Central. Para o resultado do PIB de 2019 do Brasil, a previsão atual do mercado é de uma alta de 0,87%.

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