Conselho de Medicina estuda ir à Justiça para manter serviços do Ruy Pereira

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Em 2018, o hospital promoveu 1.363 cirurgias e 242 amputações de membros inferiores (da altura da coxa ou perna); média foi de 4,6 amputações por semana

O Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Norte (Cremern) cobrou do Governo do Estado medidas efetivas para a manutenção dos atendimentos de casos graves de diabetes e de problemas vasculares no Hospital Ruy Pereira, em Tirol, zona Leste de Natal, que corre o risco de ser fechado em razão de problemas estruturais. A entidade estuda ingressar com uma ação civil pública para garantir que os serviços especializados sejam mantidos.

O Cremern apresentou nesta quinta-feira, 10, dados clínicos das atividades da unidade pública. O local é o único no estado que presta atendimentos especializados em doenças vasculares. É responsável, ainda, por atender pacientes acometidos por isquemia crítica e também promove amputações clínicas.

Dados fornecidos pelo Cremern, a partir de pesquisa feita pela Câmara Técnica de Cirurgia Vascular da entidade, apontam um aumento expressivo da demanda. Em 2018, o hospital promoveu 1.363 cirurgias e 242 amputações de membros inferiores (da altura da coxa ou perna). A média foi de 4,6 amputações por semana. No entanto, somente entre janeiro a setembro de deste ano, o número de cirurgias saltou para 1.737 e o de amputações foi de 411. A média semanal de amputados clínicos pulou para 8,5 por semana.

“Este é um número absurdo. Isso reflete uma falência no atendimento básico de saúde. Nós temos que cessar as amputações. Muitos pacientes não têm acesso às medicações e não há tratamento adequado para os casos de diabetes”, reclama o presidente do Cremern, Marcos Lima de Freitas.

De acordo com ele, a discussão não é apenas relacionada com o possível fechamento do Ruy Pereira, mas em como o poder público vai atuar para garantir um serviço digno para os pacientes vasculares no Rio Grande do Norte. “A discussão do Hospital Ruy Pereira traz outras discussões, e o Estado precisa cuida melhor dos pacientes. Temos, sim, que promover maior acesso para a área de diagnóstico e terapêutica médica, para que possamos reduzir o número de amputações”, aponta.

Segundo o Cremern, a unidade deveria ampliar as ações de diagnóstico e de serviços terapêuticos. A entidade sugere o aumento de 30 leitos de internação e a ofertar de 12 leitos de Unidade de Terapia Intensiva.

A entidade representativa da classe médica potiguar terá uma reunião plenárias na próxima segunda-feira, 14, para definir posicionamento sobre a ação civil pública. Em junho deste ano, o Cremern decidiu por medida semelhante ao buscar judicialmente melhorias para o Hospital Regional de São Paulo do Potengi, que atende pacientes em 13 municípios potiguares. Em setembro, a 4ª Vara da Justiça Federal definiu que o Estado deveria tomar medidas urgentes para garantia os serviços de saúde.

“O atual sistema de atendimento não é o ideal. Queremos ações efetivas para a redução dos casos de amputação. Vamos esperar a sinalização do Governo do Estamos, mas se não encontrarmos mudanças podemos ingressar com uma ação civil pública estruturante para atender os pacientes com pé diabético”, detalha.

A polêmica sobre o Hospital Ruy Pereira foi iniciada em junho passado, após o titular da Secretaria Estadual de Saúde (Sesap), Crispiniano Maia, anunciar o fechamento da unidade de atendimento. Após críticas de entidades médicas e a abertura de um inquérito pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN), o encerramento das atividades foi cancelado.

No último dia 7 de outubro, após relatório do Conselho Estadual de Saúde, uma entidade que congrega diversas instituições públicas e da sociedade civil, o assunto voltou a ser discutido. O colegiado recomendou o fechamento imediato do hospital e a transferência de pacientes para outras unidades, mas a Sesap decidiu não acatar.

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