Arroz deve subir 40% em outubro quando acabar o estoque do varejo

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Em Natal, arroz deve subir 40% em outubro quando acabar o estoque do varejo

Previsão é de Geraldo Paiva, ex-presidente e atual diretor da Associação dos Supermercados do Rio Grande do Norte (Assurn), que não entendeu até agora a razão de tanta atenção da imprensa para o arroz. “E o óleo de soja?”, ele pergunta

Apertem os cintos. Até o mês que vem, quando os estoques de arroz dos maiores supermercados de Natal tiverem terminado, o pacotinho de 1 kg deve subir para R$ 5,50, um aumento de 40% em relação ao que se pode encontrar ainda hoje, em torno de R$ 4,50, no valor mais em conta.

No começo da pandemia do coronavírus, o quilo do produto era vendido entre R$ 2,90 a R$ 3,20.

A previsão é de Geraldo Paiva, ex-presidente e atual diretor da Associação dos Supermercados do Rio Grande do Norte (Assurn), que não entendeu até agora a razão de tanta atenção da imprensa sobre o arroz.

“O óleo de soja, que podia ser encontrado no começo da pandemia a R$ 3,50 o litro, hoje não custa menos de R$ 8,00 o litro, um aumento de mais de 100%”, lembra.

Ele explica que o valor do câmbio, que é a relação entre o dólar e o real, fez com que os rizicultores do Rio Grande do Sul, maiores produtores nacionais, exportassem maior parte da produção. “E com a soja, pela mesma razão, a safra que ainda nem foi plantada já foi toda vendida para o exterior no mercado futuro”, acrescenta.

Paiva acha que encontrar o quilo do arroz ainda a R$ 4,50 é resultado do esforço dos supermercadistas em segurar o preço, atendendo a um pedido feito na semana passada pelo presidente da República.

Um esforço compreensivo, já que de todos os setores do varejo, quem não pode se queixar foram supermercados e “atacarejos”, lojas híbridas entre atacado e varejo.

Paiva acredita que durante a pandemia do coronavírus, as vendas das redes baseadas na região metropolitana de Natal catapultaram suas vendas em 20%.

“Isso é fácil de explicar porque os supermercados se tornaram locais de passeio das pessoas, que passaram a consumir mais em casa durante o isolamento social”, afirma.

Segundo ele, só o fermento biológico, usado na fabricação de pães, cresceu 500% com a moda de fazer tudo em casa promovido pela pandemia.

A dona de casa Karina Lúcia dos Santos gasta muito tempo olhando preços nos supermercados. Ela diz, na sua sabedoria doméstica, que não é o arroz e o feijão os maiores vilões na hora de encher o carrinho.

“É tudo junto que faz a diferença, da carne que subiu muito ao queijo que ficou impossível de comprar e, se for reparar bem, quase todo os itens apresentaram altas nos últimos dois meses”, ela lembra.

O porteiro Denilson Roberto, que trabalha num condomínio de Lagoa Nova, costuma comprar arroz e feijão em sacos de quatro quilos na feira, diz que é preciso ficar atento aos produtos tanto nas gondolas dos supermercados quantos os oferecidos nas bancas das feiras livres.

“Comprar um pouco em um e outro e, principalmente, fazer estoque de tudo que estiver mais barato porque vai subir é uma boa ideia nesses tempos”, ensina. O zelador Walden Santana, que ouve a conversa, concorda. “Quem vai sofrer muito é o pobre, pode escrever”, opina.

Num supermercado de Lagoa Nova da rede Nordestão, uma funcionária circulava pelos corredores neta terça-feira, 15, segurando um cesto em busca de produtos como uma cliente normal. Só que ela está fazendo compras para o Drive Thru da loja atendendo a encomenda de um cliente.

Só que esse tipo e consumidor guarda uma diferença fundamental em relação a outros que frequentam o espaço de loja. “Eles raramente reclamam do preço e compram à vontade”, explica.

Oferta não falta para um Setor que ignora crise

Hoje, a Grande Natal tem o segundo melhor serviço de supermercados e “atacarejos” do Nordeste depois de Fortaleza, segundo revistas especializadas em varejo.

São por volta de 150 lojas com um número superior a oito check-outs e 60 empregados, sem contar uma infinidade de mercadinhos de bairro com uma média de dois empregados na operação.

Fontes do setor ouvidas pelo Agora RN disseram que o faturamento mensal das maiores lojas na região metropolitana, juntas, é algo ao redor de R$ 500 milhões por mês – R$ 6 bilhões por ano.

Mas não foi só a desvalorização do real diante do dólar que resultou na alta de produtos durante a pandemia. O efeito sazonal ajudou a aumentar o valor dos itens nas gôndolas dos supermercados, entre eles, dos laticínios. 

Não é um fenômeno exclusivamente brasileiro. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), uma das agências das Nações Unidas, o preço dos alimentos bateu, no mês passado, o maior valor desde o início da pandemia do coronavírus. E a razão foi uma demanda maior por alimentos no mercado internacional, puxada principalmente pela China.

Por causa disso, o preço das commodities subiram e o mercado internacional registrou, no mês passado, um aumento de 27% no preço do milho, de 30% no da soja e de 43% no arroz. E como os grãos são a base de alimentação dos bovinos, suínos e de aves, essa alta também se refletiu no preço da carne. A arroba do boi gordo, por exemplo, está até 40% mais cara do que em agosto de 2019.

Delivery em crescimento

Só no segmento dos supermercados de Natal, o crescimento de delivery em relação ao primeiro semestre do ano passado já é de 200%, segundo avaliação de profissionais do setor ouvidos pelo Agora RN.

Entre os que acreditam numa disparada do delivery desse tamanho está João Marinho Dantas, secretário-executivo da Associação dos Supermercados do Rio Grande do Norte (Assurn).

“Não há um número oficial, até porque é um dado estratégico das empresas que elas não fornecem, mas a partir das informações de apps e das iniciativas a partir do WhatsApp, o meu sentimento é que a pandemia tenha mesmo alavancado um crescimento do delivery em torno de 200% em relação ao mesmo período do ano passado”, confirma Marinho.

Ele calcula que em Natal essa demanda tenha aumentado por volta de 4% da fatia de vendas de uma loja física para usar uma régua conservadora, o que é muito para não configurar uma tendência consolidada do mercado forçada pela pandemia do coronavírus e da política de isolamento social.

Essa expansão no serviço de entregas deu visibilidade a um personagem fundamental nessa operação: o separador de pedidos, já que dependerá dele a resposta direta do consumidor ao serviço.

“Como tem pessoas que adoram passear pelos corredores de um supermercado, há quem deteste e para atender esse segmento, que não é pequeno, esse profissional se tornou primordial na operação”, afirma.

Um problema a mais para o RH das empresas, mas com recompensa é garantida. Tanto como o entregador, o separador é fundamental no processo na medida que dependerá exclusivamente dele a satisfação do cliente de repetir a compra virtual e agregar produtos ao pedido.

“Tem cliente que gosta da fruta mais verde do que madura; outros preferem o queijo cortado em fatias mais finas do que grossas; tem cliente que precisa de uma boa sugestão de hortaliça para substituir àquela que ele não encontrou ou agregar itens que até ele não tinha pensando em comprar – e tudo isso depende do separador”, explica Marinho, um administrador de empresas com MBA em Gerenciamento de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas e a Escola de Administração de Empresa de São Paulo.

“Em contato com associados tenho ouvido histórias muito interessantes sobre a figura do separador que conseguiu transformar uma compra de R$ 300,00 em R$ 900,00 depois de ver suas sugestões acatadas pelo cliente”, afirma.

No começo da pandemia no Brasil, quando as compras físicas dispararam nos supermercados, nem houve muito tempo para se pensar no delivery. Mas, na medida quer os decretos de distanciamento social iam sendo renovados pelas autoridades estaduais, os pedidos de entrega em domicílio dispararam.

Nesse particular, aliás, Marinho dá um conselho para o empresário que apostar no delivery: tenha sempre o mesmo separador por cliente. A outra dica: opte por aplicativo antes de enveredar pelas vendas por WhatsApp. “O consumidor adora ver o que está comprando”, ensina.

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