Comércio e Serviços demitem 5,9 mil no RN

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Os dois setores que mais empregam e que juntos são responsáveis por aproximadamente 77% do Produto Interno Bruto (PIB) do Rio Grande do Norte conforme dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), estão mergulhados em mais uma séria crise. Juntos, somente em abril, eles fecharam 5.909 postos de trabalho formais no Estado, segundo levantamento do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério da Economia. O número corresponde a 71,17% do total de desligamentos registrados em abril no Estado, cujo total foi de 8.303 conforme o Caged.

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Rio Grande do Norte (Fecomércio RN) defende uma reabertura gradual da economia pelo Governo do Estado para que o colapso financeiro não se instale. “O Setor de Serviços é um dos mais prejudicados pelas regras de isolamento social. Empresas ligados ao turismo e a bares e restaurantes têm atravessado momentos delicadíssimos e com um cenário, de curto e médio prazos, bastante preocupante. O que esperamos é que o início da retomada das atividades econômicas possa ser adotado o mais rápido possível (afinal, pelos indicadores que temos hoje no RN isso é perfeitamente possível para já, claro, adotando todas as normas e protocolos de segurança e graduando este retorno). Quanto mais cedo dermos início a este retorno, mais cedo criaremos o ambiente propício para todas as atividades, evitando o colapso econômico que redundaria em ainda mais demissões, algo que não interessa a ninguém”, analisa o presidente da Fecomércio RN, Marcelo Queiroz.

A microempresária Flávia Souza, da Barbearia Oldskull, em Tirol, sentiu no bolso o peso negativo da pandemia do novo coronavírus. O fechamento dos serviços não essenciais por quase 45 dias fez a clientela desaparecer. Para não ver o negócio sucumbir ao ponto de encerrar as atividades, ela precisou reduzir ao máximo a equipe de colaboradores. De seis barbeiros que atendiam antes da crise provocada pelo novo coronavírus, hoje três se revezam no atendimento aos clientes. O faturamento da barbearia caiu 70% desde que o isolamento social se tornou uma medida obrigatória para contenção do avanço da Covid-19 no Estado.

“Houve redução de funcionários. Estamos trabalhando com a porta aberta, usando os EPIs corretos. Tem álcool disponível para os clientes e marcação de horário para evitar aglomeração, além da higienização do ambiente numa frequência maior”, ressalta a microempresária. Flávia Souza precisou, ainda, suspender  o contrato de trabalho da auxiliar de serviços gerais da barbearia por dois meses. “Acredito que este mês iremos ter 40% do nosso faturamento antes da pandemia”, declara esperançosa.

Dados preocupantes

O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Natal (CDL Natal), José Lucena, avalia que os números expostos pelo Caged de abril causam preocupação. “Os dados são preocupantes, e reflexo do momento em que vivemos com comércios fechados ou funcionamento parcialmente. O setor de Serviços aqui do Rio Grande do Norte foi aquele que mais perdeu em volume de vendas, muito representado por três segmentos, o de restaurantes, hotéis e transportes. Estamos otimistas para o segundo semestre, quando acreditamos em uma possível flexibilização do isolamento social”, ressalta.

Lucena acredita que quando os restaurantes voltarem a atender com consumo presencial  seguindo os protocolos sanitários, além do delivery e do takeway, os empregos voltarão.

“Quanto aos hotéis, a reação depende muito do movimento do turismo. Nós vamos fomentar o turismo local, incentivar que os próprios norte- rio-grandenses prestigiem os hotéis locais. Que quando forem viajar que priorizem nossas praias e serras. Dessa forma, pensamos em conduzir para mitigar o desemprego no segundo semestre.

Sabemos que muita gente mesmo fazendo esse esforço não vai conseguir se recolocar no mercado de trabalho. Neste caso, nós vamos fazer um trabalho para fomentar a cultura empreendedora. Estimular que aqueles que não estão com colocação no mercado, abram seu próprio negócio e assim alcancem sua sustentabilidade financeira”, declara o presidente da CDL Natal.

Impacto da pandemia é impiedoso aos negócios

Dono de um centro de treinamento de alta intensidade, o Box Tirol, o empresário Bruno Bezerra declara que o impacto da pandemia do novo covonavírus nos negócios é impiedoso. “O impacto foi cruel em relação ao faturamento, pois o que construímos em dois anos, perdemos em dois meses. Tivemos que aprender rápido a sobreviver nesse novo cenário, enxugando custos e reinventando o método de atuar”, destaca.

Bezerra, compartilha, ainda, um pensamento que é comum à maioria dos empresários. Será que os clientes voltarão ao “novo normal” com os mesmos desejos e rotina de antes da pandemia? Para ele, há muitas dúvidas em relação ao comportamento do consumidor e inúmeras questões sem respostas no momento. “Em relação ao empresário, o mesmo encontra-se vendado, pois não temos um planejamento de reabertura gradual das atividades, e com a incerteza se o aluno irá voltar à vida “normal”. O momento é de revisar processos e planejar uma retomada com bastante prudência em relação a custos e formatação de lives mais interativas que gerem engajamento”, comenta.

Temor

Dona de uma esmalteria, a Duas Marias, em Tirol, a empresária Ana Paula Dantas teme que a situação piore a partir de junho, quando acabam os repasses do Auxílio Emergencial do Governo Federal. O presidente Jair Bolsonaro chegou a sinalizar, no fim da semana passada, o pagamento de uma quarta parcela, mas nada garantido até o momento. “Ao meu ver, o problema maior poderá ser a  partir de junho e julho quando essas medidas acabam e quando começa o prazo para pagamento das dívidas com vencimentos em março, abril e maio que foram negociadas para serem pagas a partir de junho. Como até agora o governo estadual e municipal não lançou nenhuma previsão de reabertura da atividade econômica e nem nenhum tipo de estudo que mostre indicadores para uma possível reabertura, creio que o impacto maior da crise será sentido a partir de agora”, avalia Ana Paula Dantas.

Ela destaca, ainda, a importância da microempresa para a manutenção de empregos e para a arrecadação de impostos municipais e estaduais. “Em grande parte, quem mantém o Estado e o Município é a arrecadação dessas pequenas empresas que no momento mais difícil não encontram nenhum tipo de apoio do governo e nem dos bancos. Os empréstimos estão com juros altos, pedem garantias que muitos não possuem, querem que você esteja com o nome limpo. Mas, nesse período, muita gente não conseguiu pagar suas dívidas e isso vira uma bola de neve….. Acho que vai ser necessária uma colaboração conjunta dos Poderes para adotar medidas que protejam as micro e pequenas empresas. Caso  contrário, esse número de desempregados vai crescer mais”, destaca Ana Paula Dantas.

Desemprego em alta, Veja números:

Evolução Mensal do Saldo de Emprego por Nível Geográfico – Rio Grande do Norte.

427.616 era o estoque de janeiro de trabalhadores com carteira assinada

Desligamentos*

-1.734 em janeiro
-2.639 em fevereiro
-1.874 em março
-8.303 em abril

Abril de 2020 no RN

4.389 admissões

12.692 desligamentos
-8.303 é o saldo

Janeiro a Abril de 2020 no RN

40.043 admissões
53.151 desligamentos

Setores – Mês Abril

Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura: -791 postos de trabalho
Indústria de Transformação: -672
Outros: -176
Construção Civil: -755
Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas: -2.167

Serviços

Transporte, armazenagem e correio: -422
Alojamento e alimentação: -1.545
Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas: -1.141
Administração pública, defesa e seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais: -426
Serviços domésticos: -6
Outros serviços: -202

*Sem ajustes

Fonte: Ministério da Economia / Cadastro Geral dos Empregados e Desempregados (Caged) – Compilação:

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