RN: Eleições têm menos policiais candidatos que em 2016 e mais militares das Forças Armadas

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Há quatro anos, o Estado contou com 150 candidatos que eram policiais ou militares da Marinha, Exército e Aeronáutica. Para o pleito deste ano, são 126 – uma redução de 16%

Diferentemente do cenário nacional, que registra este ano um crescimento no número de candidatos policiais e militares das Forças Armadas tentando um cargo político na função de prefeito, vice-prefeito ou vereador, as eleições em 2020 no Rio Grande do Norte têm um número menor de agentes que atuam na segurança pública. A redução é de 16%, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Em 2016, o Estado contou com 119 candidatos que eram policiais (civis e militares), e mais 31 membros das Forças Armadas, totalizando 150 agentes. Para o pleito deste ano, são 90 policiais civis e militares e mais 36 membros das Forças Armadas, totalizando 126.

Da Polícia Civil, nas eleições de quatro anos atrás, foram 25 candidatos em todo o Estado, somando agentes, escrivães e delegados. Para o pleito deste ano, são 17. Na Polícia Militar, também houve uma diminuição no número de candidaturas postas à mesa. Foram 94 em 2016, contra 73 PMs candidatos agora em 2020. O TSE não distingue se os policiais militares são oficiais ou praças.

Aumenta o número de membros das Forças Armadas

Caiu o número de policiais, mas aumentou um pouco a quantidade de candidatos que são membros das Forças Armadas (Marinha, Exército e Aeronáutica). Em 2016, disputaram as eleições municipais no Rio Grande do Norte 6 militares da ativa e 25 já reformados (aposentados). Para este ano, devem concorrer nas urnas 8 militares da ativa e 28 militares aposentados.
“Uma hora isso iria acontecer”

O Agora RN ouviu o professor João Emanuel Evangelista, doutor em sociologia política. Na opinião dele, “uma hipótese geral que podemos analisar melhor é que, talvez aqui, já tenhamos tido uma militarização excessiva da política”. “Lembre os candidatos que foram eleitos e faça um levantamento dos militares eleitos: um senador, um deputado federal, um deputado estadual, etc… uma hora isso iria acontecer”, afirmou.

“A militarização da política é um dos resultados de uma campanha social e politicamente criada para levar ao descrédito das instituições políticas, Congresso, partidos, a política e os políticos. O resultado disso foi criação das condições para o surgimento de uma nova política. Ou seja, como as instituições políticas democráticas do Brasil eram insuficientes para a direita ganhar as eleições, foram criadas todas as condições para desestruturar as instituições políticas e, com isso, derrotar politicamente a esquerda, fazer com que a agenda da direita fosse vitoriosa na sociedade e que fossem eleitos os novos políticos para representarem essa agenda produzida superficialmente pela extrema direita. Esse é o resultado, ou seja, o bolsonarismo é que levou à militarização. A militarização é o resultado direto da antipolítica”, analisou.

“É apenas um fato”

Para o professor aposentado e especialista político Cláudio Emerenciano, o fato de o Rio Grande do Norte ter menos candidatos policiais este ano, em comparação ao pleito passado, não significa que o Estado está na contramão do País. “É apenas um fato. Eu, particularmente, não sou contra os militares estarem na política. É um direito de qualquer cidadão se candidatar. Porém, acho que os cargos públicos deveriam ser ocupados por técnicos. Mas, no caso de eleição, a lei permite, e se o policial se filiar, ele pode ser candidato. O que sou contra é o exagero no número de policiais ocupando cargos nos quais eles não estão preparados para assumir”, comentou.

Ainda há espaço para essas candidaturas em 2020?

“As candidaturas para Executivo ou legislativo nos municípios são influenciadas pelas regras eleitorais vigentes. As mudanças nas coligações proporcionais mudam o quadro: candidaturas a prefeito bem colocadas nas pesquisas impulsionam candidatos a vereador ou é o contrário? Essa é uma importante pergunta e a resposta é central na estratégia de cada partido. Se candidatos a prefeito bem colocados nas pesquisas aumentam as chances dos candidatos a vereador, então é interessante aos partidos que procurem por candidatos a prefeito que tem recall ou então personalidades conhecidas. Talvez o apoio do presidente da República seja importante em alguns municípios, mas em geral as campanhas municipais são dominadas por pautas locais. Se não houver um esforço de coordenação nacional, é muito provável que a tendência de domínio das pautas locais se torne ainda mais forte”. A resposta é do professor Anderson Santos, do Departamento de Políticas Públicas da UFRN.

Ainda de acordo com Anderson, como pano de fundo, temos o seguinte:
“Algumas pesquisas têm mostrado que, diferentemente de dois ou quatro anos atrás, a população tem elencado saúde, e não segurança pública como o principal problema de Natal e Estado. Isso muda muita coisa? Há muito tempo, os cientistas políticos consideram que existem profissões mais ligadas à atividade política. Em geral, são profissionais liberais como professores, advogados e médicos. Há uma série de fatores, como maior flexibilidade no desempenho de sua profissão e ligação com pessoas de classes mais altas. Nesse sentido, os médicos sempre tiveram posição de destaque e isso deve continuar.

A pauta da segurança pública refluiu porque também diminuíram os assaltos e outros ilícitos com a pandemia da Covid-19. É mais provável que a economia e a saúde pública sejam as principais preocupações da população”, destacou.

Natal é a cidade com maior número de policiais candidatos

Natal é a cidade potiguar com o maior número de agentes de segurança disputando uma cadeira na política. São oito policiais militares e sete policiais civis, totalizando 15 candidatos. Deste total, três são candidatos a prefeito, um a vice-prefeito e 11 disputam o cargo de vereador.

Outras cidades com policiais candidatos em 2020:

PMs: Afonso Bezerra (1), Apodi (1), Areia Branca (1), Brejinho (1), Caicó (2), Campo Redondo (1), Currais Novos (2), Doutor Severiano (2), Encanto (1), Extremoz (3), Governador Dix-Sept Rosado (1), Grossos (2), Ielmo Marinho (2), Japi (1), João Dias (1), Jucurutu (1), Lagoa de Velhos (1), Macaíba (5), Macau (1), Mossoró (7), Natal (8), Nísia Floresta (2), Parelhas (1), Parnamirim (4), Pau dos Ferros (2), Pedro Velho (2), Pendências (1), Poço Branco (1), Rafael Fernandes (1), Rafael Godeiro (1), Riachuelo (1), Santa Cruz (1), Santo Antônio (1), São Gonçalo do Amarante (4), São José de Mipibu (2), Senador Georgino Avelino (1), Serrinha (1), Tibau (1) e Vila Flor (1). Total: 73

Policiais civis: Angicos (1), Apodi (1), Lagoa de Pedras (1), Lajes (1), Macaíba (2), Mossoró (1), Natal (7), Nísia Floresta (1), Pendências (1) e Santo Antônio (1). Total: 17

Câmara de Natal

Na disputa por uma cadeira na Câmara de Natal, há um pouco de tudo: cabo, sargento, suboficial, tenente, capitão, major, coronel. A maioria é filiada ao PSL, partido pelo qual se elegeu Bolsonaro, hoje sem legenda, seguido do Partido Social Cristãos (PSC) e do Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB).

No país, dobra número de policiais e de militares

O número de policiais civis, militares e de membros da ativa e da reserva das Forças Armadas que se candidataram a prefeito e vice-prefeito neste ano é o dobro do que o registrado nas eleições municipais de 2016. São 388 candidatos a prefeito, contra 188 que disputaram o Executivo municipal há quatro anos, antes da eleição do presidente Jair Bolsonaro e da entrada de integrantes do Exército no governo federal.

Levando-se em conta os postulantes a vice-prefeito e vereador, 6.723 policiais e militares vão participar do pleito deste ano em todo o país. Isso representa um aumento de 11,4% em relação às últimas eleições, de acordo com o TSE.

O maior aumento é entre os que se declaram “membro das Forças Armadas”. Eram 123 candidatos em 2016. Em 2020, são 182. Em números absolutos, entretanto, o total é maior entre os PMs: eles eram 3.205 nas eleições passadas, agora são 3.561 (11% mais).

Segurança pública na vitrine

Com a eleição do capitão do Exército aposentado Jair Bolsonaro para a Presidência da República, o tema segurança pública não sai da vitrine. Foi assim quando ele venceu, em 2018, e está sendo assim agora, em 2020.

Em 2018, o eleitorado potiguar elegeu um senador (capitão PM Styvenson Valentim), um deputado federal (General Girão, reservista do Exército) e um deputado estadual (Coronel Azevedo, ex-comandante-geral da PM). Para este ano, nomes conhecidos da segurança pública estadual e das Forças Armadas tentam repetir o feito, como:

  • Delegada da Polícia Civil Sheila Freitas, ex-secretária estadual de Segurança Pública, que estreia na política tentando uma vaga na Câmara Municipal de Natal;
  • Delegado da Polícia Civil Sérgio Leocádio, que em 2018 disputou o cargo de vice-governador na chapa de Brenno Queiroga, e que agora disputa a Prefeitura de Natal;
  • Delegado da Polícia Civil Normando Feitosa, que também enfrenta sua primeira eleição, disputando o cargo de prefeito de Macaíba, onde foi delegado por duas vezes;
  • Coronel Hélio, reservista da Aeronáutica, que também disputa a Prefeitura do Natal;
  • Além do próprio coronel PM Azevedo, que também quer o cargo de prefeito da capital potiguar.

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