Com isolamento, governo Fátima retardou pico da pandemia, diz deputado

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Deputado de primeiro mandato, Francisco do PT faz uma análise do momento da pandemia no Estado e no País e comenta aspectos como a retomada das atividades econômicas e a volta às aulas com segurança, além da votação, na Assembleia Legislativa, da Reforma da Previdência

O Rio Grande do Norte é o segundo estado do País com a maior redução na média diária de mortes por Covid-19 na última semana. Dados do consórcio de veículos de imprensa sobre a pandemia do novo coronavírus no Brasil apontam que, nos últimos sete dias, a média diária de mortes desceu 45% no Estado, em relação aos quinze dias anteriores. Apenas Roraima teve resultado melhor, com redução de 75% na média de óbitos.

Na avaliação do deputado estadual Francisco do PT, a redução no ritmo de mortes reflete o esforço do governo estadual em estimular medidas eficazes de prevenção ao novo coronavírus, como o distanciamento social, a restrição de circulação das pessoas, o uso de máscaras em ambientes públicos e o reforço da higiene pessoal.

Segundo ele, as críticas feitas à gestão estadual resultam da insistência da governadora Fátima Bezerra em defender o isolamento social, o que, segundo ele, “mexeu com interesses econômicos”. “Mas a governadora e sua equipe foram firmes na defesa da vida das pessoas e conseguiram retardar a chegada do pico da pandemia”, diz ele.

Nesta entrevista ao Blog, Francisco do PT faz uma análise do momento da pandemia no Estado e no País e comenta aspectos como a retomada das atividades econômicas e a volta às aulas com segurança, além da votação, na Assembleia Legislativa, da Reforma da Previdência. Confira:

Qual a sua análise em relação ao atual momento da pandemia do novo coronavírus no País?

FRANCISCO DO PT – O que vemos é um desalinho entre a posição e a condução do Governo Federal e as posições dos estados e municípios. Cada ente federado tem passado uma orientação diferente à população, gerando uma verdadeira confusão nas informações. As decisões deveriam ser integradas e baseada nas evidências científicas. Toda essa relação conflituosa com o Governo Federal desencadeou uma sensação de descrença da população em relação aos pareceres das autoridades científicas, gerando uma pressão gigantesca para que estados e municípios flexibilizassem ou não aderissem ao isolamento social.

Como o senhor avalia a situação no Rio Grande do Norte?

FRANCISCO DO PT – No RN, o Governo do Estado bancou o isolamento social e enfrentou grande resistência de algumas gestões municipais. Os decretos do governo foram respaldados em evidências científicas, que indicavam a intensificação do isolamento social com principal medida de prevenção da pandemia. O resultado foi uma baixa adesão ao isolamento social e um grande aumento da contaminação e do número de óbitos.

Blog – É o momento de retomar as atividades econômicas?

FRANCISCO DO PT – O Governo do Estado tem tentado estudar e fazer planejamentos muito criteriosos das possibilidades de flexibilização, adotando etapas para a reabertura que perpassam por metas a serem cumpridas, para que se tenha a garantia da segurança sanitária da população. Uma parte da população que depende do comércio para o seu sustento, principalmente os pequenos comerciantes, se encontram em uma situação muito difícil. O governo tem tentado conseguir garantir o equilíbrio entre a segurança sanitária, aumento da capacidade de resposta da rede de saúde e a segurança econômica da população do estado.

BlogEm Natal, a prefeitura tem adotado passos mais ousados nessa flexibilização.

FRANCISCO DO PT – O prefeito Álvaro Dias, infelizmente, tem se negado a estabelecer o diálogo e uma parceria efetiva com o Governo do Estado. Foi um dos municípios que não aderiram ao Pacto pela Vida. Como se não bastasse, tem adotado medidas sem comprovação científica para criar uma sensação na população de normalidade, com o intuito de estimular a flexibilização do isolamento.

Blog – Críticos acusam a governadora Fátima Bezerra de “omissão” no enfrentamento da Covid-19. O senhor acha que o isolamento adotado por ela foi o que resultou nessa sensação?

FRANCISCO DO PT – Foram criadas algumas narrativas contrárias ao governo como oposição ao fato de a governadora ter adotado a intensificação do isolamento social como medida para garantir a contenção da contaminação acelerada do vírus. Essa medida mexeu com interesses econômicos e, consequentemente, não é um enfrentamento fácil a ser feito. Mas a governadora e sua equipe foram firmes na defesa da vida das pessoas e conseguiram retardar a chegada do pico da pandemia. Isso pode ser observado pelos últimos dados que demonstram que o RN está entre os 6 estados que obtiveram redução do número de óbitos nos últimos dias.

Blog – Em Natal, o prefeito Álvaro Dias determinou a distribuição de hidroxicloroquina e ivermectina como “prevenção” – dois medicamentos sem eficácia comprovada contra o coronavírus. Como o senhor avalia essa medida?

FRANCISCO DO PT – Não só é uma medida populista. Para além disso, gera a falsa sensação de normalidade na população, desestimulando o cumprimento das medidas que são realmente eficazes para a prevenção da contaminação do vírus.

Blog – A Assembleia Legislativa deve votar nos próximos dias a Reforma da Previdência Estadual. A discussão deverá ser remota porque o prazo limite para aprovar a proposta encerra em 31 de julho. Mas, o governo não poderia ter negociado uma extensão do prazo junto ao Governo Federal para permitir que a votação acontecesse na presença dos servidores públicos?

FRANCISCO DO PT – Este prazo foi determinado desde que foi aprovada a Reforma da Previdência federal. O que o Governo do Estado podia fazer, e fez, foi abrir diálogo com as representações dos trabalhadores e destinar a sua equipe técnica para construir a melhor proposta. Isso aconteceu. A tramitação na Assembleia aconteceu dentro dos prazos regimentares e a versão que veio do governo sofreu alterações. O povo do Rio Grande do Norte pode sofrer com as penalidades às quais o Governo do Estado será submetido caso a reforma não for aprovada no prazo estipulado.

Blog – Como professor, o senhor acredita que há segurança para o retorno às aulas no dia 14 de agosto, como prevê o governo estadual?

FRANCISCO DO PT – Na última terça-feira, participei de um evento da Secretaria de Educação do Estado cuja temática estava centrada no contexto de pandemia. Ao saudar os mais de 4 mil profissionais da educação, internautas, a governadora Fátima Bezerra reafirmou que o retorno das atividades presenciais somente se fará com a devida segurança sanitária. Temos nos colocado ao dispor de contribuir com os encaminhamentos que possam mitigar os impactos em uma reorganização do calendário escolar. Assim é que discutimos, por exemplo, a possibilidade de ciclos, em função da independência entre ano letivo e ano civil.

Blog – O senhor tem acompanhado, desde o início do mandato, as discussões sobre a chegada ao RN das águas da transposição do Rio São Francisco. Com um potiguar à frente do Ministério do Desenvolvimento Regional (Rogério Marinho), o senhor acredita que finalmente a obra será finalizada e o RN, beneficiado?

FRANCISCO DO PT – Acompanho e luto pelo projeto de transposição do Rio São Francisco porque ele é fundamental para nossa segurança hídrica e porque já está muito perto, ali na Paraíba. A responsabilidade do ministro Rogério Marinho é imensa porque o restante para ser feito corresponde apenas a aproximadamente 5% do total da obra. Ele está no ministério que executa este projeto. Enquanto presidente da Frente Parlamentar das Águas, o que posso dizer é que, para além de acreditar ou não acreditar, a nossa atuação será de reivindicar permanentemente pela plena conclusão da transposição. A água do São Francisco beneficiará pelo menos metade da população do Rio Grande do Norte.

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