Moro nega interferência na PF em investigação sobre hackers

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Prestou depoimento nesta 4ª (8.jul.2020), disse que acompanhava o caso de longe, negou ter pedido destruição de mensagens

O ex-ministro da Justiça Sérgio Moro prestou depoimento nesta 4ª feira (8.jul.2020) à Justiça Federal. Por videoconferência, Moro foi interrogado como testemunha no processo da operação Spoofing, que investiga a ação de hackers no vazamento de troca de mensagens entre procuradores da Lava Jato. O ex-ministro negou que tivesse usado o cargo no Ministério da Justiça para interferir nas investigações.

Moro foi 1 dos que tiveram o celular hackeado pelo grupo liderado por Walter Delgatti Neto. O procurador Deltan Dallagnol, da operação Lava Jato, também teve o aparelho invadido. A investigação apura invasões em números telefônicos de aproximadamente 1.000 autoridades, segundo a Polícia Federal (PF). Parte das conversas foi tema de uma série de reportagens do The Intercept Brasil.

Quando as mensagens foram divulgadas, Moro já era titular da pasta da Justiça. No depoimento desta 4ª (8.jul), o ex-ministro foi questionado se teria usado o cargo no governo para garantir que a investigação ficasse com a PF. “Como eu fui atacado na condição de ministro da Justiça, funcionário público federal, a competência era da Polícia Federal e da Justiça Federal”, justificou. “Como ministro, eu não conduzia nenhuma investigação. Então eu apenas requisitei que a Polícia Federal fizesse aquela apuração”, completou.

Moro também depôs sobre uma possível interferência nas investigações. Ele negou qualquer influência, dizendo que não tinha acesso ao inquérito e apenas acompanhou de longe. “A Polícia Federal realizou seu trabalho de maneira independente“, afirmou.

Na altura em que a PF começou a analisar o caso, o diretor-geral da instituição era Maurício Valeixo, nome indicado por Moro. Sobre essa proximidade entre os 2, o ex-ministro disse que Valeixo “não cuida diretamente das investigações” e não passava detalhes do trabalho da PF.

Segundo Moro, ele recebia apenas informações gerais sobre o andamento do caso. “Nós falamos algumas vezes sobre esse assunto com a PF, mas porque isso acabou envolvendo questões relativas à segurança nacional. Afinal de contas, não é trivial tentativa de hackeamento do telefone do ministro da Justiça e Segurança Pública. Nós tratávamos de assuntos sensíveis ali dentro do telefone. Isso ainda foi agravado com a constatação de que atacaram também o telefone do presidente da República”, afirmou. 

O ex-ministro ainda foi perguntado sobre ter supostamente pedido que se destruíssem as mensagens. “Isso é uma interpretação equivocada“, disse, explicando que teria apenas avisado as autoridades que tiveram o telefone interceptado. “Não tenho a intenção de esconder nada. Todo o trabalho feito na Lava Jato foi totalmente lícito e regular“, afirmou Moro. 

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