Publicitário do RN dá dica aos pré-candidatos: “redes sociais não são palanque”

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Diretor de uma das maiores agências de marketing digital do Estado afirma que candidatos a prefeito e a vereador precisarão se adaptar a novos hábitos digitais dos eleitores nas eleições de 2020. Segundo ele, campanha será a mais digital da história

Na avaliação do publicitário Helito Honorato, a campanha eleitoral de 2020 no Brasil será “a mais digital da história”. Com a recomendação das autoridades sanitárias para que aglomerações sejam evitadas, a fim de diminuir o ritmo de contágio do novo coronavírus, o “porta a porta” vai dar lugar ao “de WhatsApp em WhatsApp”, segundo o especialista.

Diretor de uma das maiores agências de marketing digital do Rio Grande do Norte, a 2HC, Helito Honorato afirma que candidatos a prefeito e a vereador este ano terão de entender que a pandemia da Covid-19 forçou novos hábitos digitais nos eleitores, e que é preciso se adaptar a essa nova realidade.

Para ter sucesso nas redes, o publicitário dá o recado: “Um bom engajamento está diretamente ligado a um bom conteúdo e a uma boa estratégia de segmentação”. O primeiro passo, segundo ele, é “entender que redes sociais não são palanque, onde todo mundo está ali para ouvi-lo”.
Nesta entrevista ao Blog, o publicitário fala também sobre o projeto de lei de combate às fake news, que tramita no Congresso Nacional, e sobre as estratégias que os candidatos deverão adotar nas eleições de 2020. Confira:

A pandemia do novo coronavírus mudou hábitos da população, principalmente na comunicação. De acordo com Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o consumo de internet aumentou 70%. Como vocês da 2HC enxergam esse momento?

HELITO HONORATO – A pandemia acelerou um processo que já estava em constante evolução, e isso é uma grande oportunidade para quem faz marketing digital. Do comércio à política, agora as pessoas demonstram ter uma compreensão melhor da força que a internet tem para facilitar a nossa vida. Os consumidores estão se adaptando à digitalização de seus comportamentos. Por exemplo, quem antes tinha insegurança de fazer compras pela internet foi forçado pela pandemia a adotar esse hábito. Políticos, autoridades e diretores de empresas que não davam a devida importância às redes sociais agora estão sendo forçados a ter uma comunicação digital eficiente para encarar o cotidiano e o momento político da eleição mais digital da história. Vejo como uma grande oportunidade para empresas e políticos se posicionarem.

Entre os clientes da agência, estão pessoas físicas, empresas e também Poder Público. Neste momento em que a população tem acompanhado o trabalho de todos à distância, o que pode ser feito para ampliar o número de seguidores e a interação?

HH – Primeiro, é preciso entender que o número de seguidores não influencia tanto na interação como se imagina. Esse não tem que ser o foco. Sempre digo que é melhor ter 10 mil seguidores qualificados e com real interesse no que você posta do que 100 mil sem identificação. Um bom engajamento está diretamente ligado a um bom conteúdo e a uma boa estratégia de segmentação. E isso só é possível com uma coisa: posicionamento. Quanto mais o público se identificar com suas posições, mais irá se engajar com elas e maior será a entrega das suas publicações.

Como publicitário, qual a sua análise sobre a discussão em torno de um projeto para barrar a disseminação de fake news?

HH – Essa é uma discussão necessária, mas o projeto como foi apresentado é perigoso, vago e muito frágil. Um projeto que já nasceu mofado e flertando com a censura. O texto vem sendo muito criticado por especialistas da área porque abre um precedente enorme para a violação de privacidade. Mais preocupante ainda é a matéria seguir tramitando numa velocidade absurda e sem discussão popular. Não é para ser assim. Não acredito em soluções fáceis para problemas complexos. Se esse projeto vingar, o Brasil será a única democracia do mundo com rastreabilidade de mensagens privadas. Esse projeto atinge o lado mais fraco, que é a população. O povo será o mais prejudicado. As grandes estruturas de desinformação, infelizmente, vão continuar e se adaptar. Mas os cidadãos poderão ter sua privacidade violada a qualquer momento. O que vejo são burocratas, sem a menor ideia de como funciona a internet, buscando proteger seu próprio umbigo.

Como melhorar a imagem dos pré-candidatos nas redes sociais em plena pandemia?

HH – O primeiro passo é entender que redes sociais não são palanque, onde todo mundo está ali para ouvi-lo. Você está concorrendo no feed dos seus seguidores com perfis de familiares, amigos, famosos, etc. Fotos de reuniões ou santinhos virtuais não vão se destacar no meio disso tudo. Então, o que fazer? O segredo está no relacionamento, no timing e na segmentação. Com essa combinação, reforçada por bons posicionamentos, o candidato tem mais chances de se destacar. Um grande erro que vejo muitos cometerem é não se relacionarem com os seguidores. Seja com um simples agradecimento a um comentário, seja com Stories pedindo a opinião das pessoas. Tudo isso aproxima e faz diferença. O timing também é importante, porque os assuntos mudam muito rápido. É preciso ter agilidade e sensibilidade para se posicionar no momento certo. No calor do momento. Também há mecanismos para entregar uma publicação exatamente para o público que tem interesse nela. Fotos naturais, conteúdo autêntico e uma boa direção de arte também ajudam muito.

Como será a campanha deste ano? Será a oportunidade de efetivar o modelo “online” implantado nos EUA desde o presidente Barack Obama? Aqui, o efeito mais “real” e simples do presidente Jair Bolsonaro é uma tendência?

HH – Não tenho dúvidas de que será a campanha mais digital da história. Aliás, já está sendo. Porque, com a liberação da pré-campanha, todo esse período prévio também vem sendo muito utilizado para construir reputação. Aquelas tradicionais movimentações de rua, que já estavam em declínio no Brasil, não devem acontecer para evitar aglomerações. O “porta a porta” vai dar lugar ao “de WhatsApp em WhatsApp”.

Em que vocês têm atuado? Fale um pouco mais sobre a agência e seus clientes.

HH – A 2HC é hoje uma das principais agências de marketing político digital do Rio Grande do Norte, já que trabalhamos com os prefeitos das duas maiores cidades, Natal e Mossoró. Somos uma equipe formada por jovens, mas com uma boa bagagem na área política. Já participei de 27 campanhas eleitorais, desde 2012.

Se pudesse dar dicas ou exemplos de trabalho em redes sociais de sucesso, quais cases mais recentes estariam na lista?

HH – Temos dois cases recentes que foram bem marcantes. As redes do prefeito Álvaro Dias ficaram em 1º lugar no ranking nacional do Jornal Valor Econômico, que mostrou os prefeitos de capitais com melhor desempenho nas redes sociais na pandemia. Ele foi o gestor que mais cresceu na internet, graças ao excelente trabalho na gestão aliado a uma comunicação digital eficiente. Outro destaque nacional foi com o deputado federal Beto Rosado. Contribuímos na criação de um projeto digital de participação popular para a escolha do destino de emendas. São resultados expressivos e que reforçam o potencial que a internet tem na política.

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