RN tem quase 50 policiais presos por crimes contra a vida

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O Rio Grande do Norte possui, atualmente, 48 policiais civis e militares presos suspeitos de crimes contra a vida e contra o patrimônio. Os mais recentes a entrar para a lista, são três cabos presos na quinta-feira 17, investigados por envolvimento na morte de um jovem de 18 anos. Um quarto policial militar (um sargento), detido em agosto, teve sua prisão temporária renovada e também é suspeito de participar da morte de Giovani Gabriel do Souza Gomes – crime ocorrido em junho deste ano.

A morte do jovem Gabriel, como era mais conhecido, causou repercussão em todo o estado e chamou a atenção até da governadora. Em suas redes sócias, Fátima Bezerra cobrou celeridade nas investigações e punição aos culpados. Em Natal, familiares e amigos do jovem Gabriel realizaram vários protestos, também exigindo respostas para o homicídio.

Segundo a Vara de Execuções Penais de Natal, 23 PMs e 3 policiais civis cumprem pena em unidades prisionais do estado, seja no regime fechado ou semiaberto (monitorados ou não por tornozeleiras eletrônicas). E outros 22 PMs, segundo a própria Polícia Militar, estão detidos em unidades da própria corporação, seja no Quartel do Comando Geral ou na Academia de Polícia. No entanto, não foi possível distinguir quantos respondem por crimes contra a vida, como homicídio ou tentativas de homicídio, ou demais crimes do Código Penal Brasileiro.

O caso Gabriel

Giovani Gabriel foi visto pela última vez na manhã do dia 5 de junho deste ano, quando saiu de casa no bairro Guarapes, em Natal, para ir de bicicleta à casa da namorada em Parnamirim. Na semana seguinte ao desaparecimento, policiais civis chegaram a encontrar suas sandálias e a bicicleta em uma área de vegetação em Parnamirim, próxima à casa da namorada.

O corpo do jovem Gabriel foi encontrado no dia 14 de junho, em uma região de mata na comunidade Pau Brasil, em São José de Mipibu.

De acordo com as investigações, o crime de homicídio provavelmente ocorreu logo após o jovem Gabriel ser confundido com um suspeito da prática de um crime de roubo de um veículo, no bairro de Emaús, em Parnamirim.

Mandados cumpridos e 4 PMs presos

Policiais civis da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) deram cumprimento na quinta-feira 17, em desdobramentos da Operação “Romanos 12:19”, a mandados de prisão temporária em desfavor de três policiais militares suspeitos de envolvimento no homicídio do jovem Gabriel.

Além da prisão dos 3 PMs, ainda foi renovada a prisão temporária de um outro policial militar, que havia sido preso no dia 19 de agosto. Os quatro suspeitos são lotados no município de Goianinha. Os nomes dos quatro policiais não foram divulgados.

Dois dos policiais estavam de serviço e foram presos após se apresentarem ao Comando Geral e o terceiro suspeito foi preso em sua residência. Dessa forma, foram identificados e presos todos os envolvidos no homicídio de Giovani Gabriel.

Com a prorrogação da cautelar, o inquérito deve ser concluído no prazo de 30 dias, restando pendente apenas os laudos periciais e a análise de dados para a finalização da investigação.

A investigação

A investigação revelou que após o roubo de um veículo pertencente ao irmão do policial militar suspeito (que é um sargento), ocorrido em Parnamirim, foram acionados colegas para dar apoio ao seu irmão na recuperação do veículo, que possuía rastreador.

Diversos policiais foram contactados para atender a ocorrência, deslocando-se até a região onde apontava o GPS. Ao longo das buscas, uma guarnição da Polícia Militar chegou ao local onde o veículo estava, presenciando o momento no qual os criminosos estavam retirando os pertences do veículo.

Os suspeitos do roubo, ao visualizarem a viatura, fugiram pela região de mata. Os policiais deram continuidade às buscas, ingressando na mata. No local, alguns policiais militares abordaram o jovem “Gabriel” e se certificaram de sua história. Após alguns momentos de detenção, eles liberaram o jovem. Ao sair da região de mata, Giovani Gabriel foi visto por populares que passavam com seu veículo pelo local e avisaram a uma outra viatura que também realizava as buscas no local.

Nessa viatura, estavam os três cabos presos nesta quinta-feira 17, que haviam sido acionados pelo sargento. Os militares então abordaram o jovem Gabriel, que chegou a informar aos policiais que já havia sido liberado pela outra viatura. Porém, mesmo assim, o jovem foi colocado na mala do veículo, sendo este o último momento em que foi visto com vida.

Execução

As investigações apontam que os três policiais executaram a vítima e se deslocaram até o município de São José do Mipibu, onde deixaram o corpo. De acordo com as investigações, os três cabos que estavam na viatura, desde o momento que abordaram o jovem Gabriel, mantiveram um estreito processo de comunicação com o sargento, irmão da vítima do crime de roubo em Parnamirim. Tal comunicação indica o conhecimento dos fatos e participação ativa na prática do crime de homicídio, pois, ainda de acordo com as investigações, o sargento chegou a agradecer aos três cabos presos, em grupo de WhatsApp, todo o apoio prestado.

Corregedoria da Segurança Pública tem 348 procedimentos instaurados contra policiais

Além da atuação da polícia judiciária e Ministério Público, servidores da segurança pública ainda têm o poder da Corregedoria como órgão superior de controle e fiscalização das atividades funcionais e da conduta disciplinar interna das instituições, órgãos e agentes integrantes do Sistema Estadual de Segurança Pública e de Defesa Social. Atualmente, segundo o advogado Bruno Saldanha, corregedor-geral da Secretaria de Segurança Pública, 348 procedimentos foram abertos no período de agosto de 2019 a agosto de 2020.

Os procedimentos envolvem tanto casos disciplinares, como criminais, que são encaminhados para instauração de inquéritos policiais. Quanto às punições na esfera da Polícia Militar, o corregedor disse que os números ainda não foram consolidados. Já na Polícia Civil, neste período de 12 meses, oito servidores foram punidos. As punições vão desde uma advertência formal até a demissão.

Um dos casos mais recentes foi a expulsão da Polícia Civil do delegado Olavo Dantas de Medeiros Júnior, que em agosto passado perdeu o cargo público por envolvimento em fraudes contra o Instituto de Previdência do Estado.

“O controle externo da atividade policial é muito importante para o aperfeiçoamento das corporações policiais. Nossa corregedoria, juntamente com os demais órgãos que integram o sistema de segurança pública, vem trabalhando de forma incessante para que o mal feito não prevaleça e o bom servidor seja valorizado, de modo a permitir que a sociedade tenha um serviço de qualidade, comprometido com a integridade e preservação dos direitos de todos os cidadãos”, destacou Bruno Saldanha.

A Corregedoria da Sesed recebe denúncias da população de um modo geral, Ministério Público do Estado, Ouvidoria da Sesed e Justiça.

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